SIC 2025: movimentos que mostram para onde o café brasileiro está indo
- Anna Openheimer

- 12 de nov.
- 3 min de leitura

Na última semana, estivemos em Belo Horizonte para a Semana Internacional do Café (SIC) — um dos encontros mais importantes do café no Brasil.
A feira é sempre um espaço de reencontros, descobertas e conversas que ajudam a desenhar o futuro do mercado. Mas, neste ano, o que me chamou ainda mais atenção foi que o Brasil está passando por uma nova fase de consciência e identidade no café.
Assisti alguns painéis que discutiram mercado global, ESG e sustentabilidade. As conversas deixaram claro que, mais do que produzir bons cafés, estamos vivendo um momento de responsabilidade ativa: com o produtor, com o meio ambiente e com quem consome.
Sustentabilidade não é tendência — é estrutura de longo prazo, ou seja, o ponto que eu sempre toco: comportamento de mercado e consumo.
Tivemos uma grande marca que se reposiciona: Cafés do Brasil. O rebranding da marca “Cafés do Brasil” foi o ponto chave no posicionamento de novas regiões, conectado com a diversidade sensorial e geográfica do país — algo que o mercado nacional e internacional tem sede de conhecer melhor.
Esse reposicionamento reforça algo que já defendemos no Cafetelier: o café brasileiro não precisa se provar; ele precisa ser revelado com clareza, precisa de bons meios para encontrar principalmente a xícara do brasileiro, já que somos o maior produtor.
Foi inspirador ver regiões que durante muito tempo ficaram fora do centro das discussões ganharem espaço. Acre, Amazonas (com robustas amazônicos), Rio de Janeiro, Paraná e outras origens que antes não eram protagonistas estão agora apresentando terroirs, produtores e microclimas que revelam novas camadas de sabor e cultura.
Esse movimento acompanha uma compreensão mais madura do mercado, onde a origem diz muito do produto e a diferenciação é para construir um verdadeiro fairplay.
A gigante suíça Nestlé, mostrou a que veio: convidou os seus fornecedores para apresentarem os produtos de sua própria marca. Pequenas (aliás, minúsculas) torrefações próprias em um stand colaborativo para divulgar o seu rótulo. A mensagem é clara, o café está cada vez mais próximo do vinho, com a possibilidade de termos inúmeras marcas nas gôndolas e diferentes experiências de consumo. Estimulando a "concorrência" a fazer bem feito e desafiando os reais concorrentes a fazerem o mesmo para conquistarem cada vez mais seus próprios fornecedores. Um mercado que tem que conquistar clientes e fornecedores de commodities para funcionar.
A Nespresso transformou o fornecedor em protagonista, o que redefine a dinâmica do mercado de café. Em vez de proteger seus produtores, ela os exibe — provocando o mercado a crescer. Num setor onde compradores disputam tanto consumidores quanto origens, essa é uma jogada de quem entendeu que o futuro do café depende de cooperação inteligente e concorrência virtuosa, estratégia mais que sofisticada.
O que trazemos dessa experiência:
Voltar da SIC é voltar com a cabeça cheia e o coração atento:
• Estamos diante de um Brasil mais plural no café.
• O diálogo sobre sustentabilidade deixou de ser paralelo: agora é parte central da estratégia.
• O mundo quer ouvir nossas histórias — mas elas precisam ser contadas com profundidade, precisão e honestidade, como a estratégia "fora da caixa" da Nespresso.
• A Atilla torradores trás novos modelos com mais automação e elevadores a mostra, apresentando a tecnologia aliada ao trabalho e à qualidade do trabalho. Assim, como os maquinários novos, que pensam cada vez mais no conforto das operações.
Para nós, no Cafetelier, participar desses debates reforça nossa missão:
valorizar o café brasileiro com técnica, sensibilidade e propósito. Seguimos torrando, estudando, viajando, conversando e provando.









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