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Como o modo de preparo altera o sabor do café


O sabor do café não está apenas no grão, mas nas escolhas feitas ao longo de todo o preparo. A mesma matéria prima pode resultar em bebidas completamente diferentes dependendo da proporção entre café e água, do método utilizado, do ponto de torra e até da forma como cada cultura se relaciona com a bebida.


Preparar café é, antes de tudo, uma decisão sensorial e cultural, e entender esse processo é essencial para beber café de maneira mais consciente na nossa jornada de descoberta.


A proporção de água é um dos fatores que mais influenciam a percepção do sabor. Quanto maior a quantidade de água em relação ao café, mais diluída será a bebida; quanto menor, mais intensa e concentrada.


No Brasil, a tradição do café forte e encorpado está profundamente ligada à história do consumo doméstico. O café sempre foi associado à energia, à pausa curta e ao impacto imediato no paladar. O clássico brasileiro é servido em pequeno volume, carrega o sabor marcante e corpo presente, resultado de uma extração mais concentrada, ainda que seja um café filtrado e não um espresso como na Itália.


Nos Estados Unidos, a relação com o café seguiu outro caminho. O consumo ao longo do dia, em grandes volumes, moldou uma preferência por bebidas mais diluídas e fluidas. Acompanha o americano ao logo do caminho do trabalho, casa; ao longo de tarefas e aquece o corpo no inverno mais gelado.


Métodos como o drip coffee e o batch brew utilizam proporções maiores de água, criando cafés mais leves, com menor percepção de amargor e maior facilidade de consumo contínuo, mas na minha opinião também fazem com que alguns compostos não sejam tão evidentes perdendo em sabor para um proporção mais equilibrada. Não se trata de um café inferior ou “fraco”, mas de uma bebida pensada para acompanhar a rotina por horas, sem saturar o paladar. Essas diferenças não indicam certo ou errado, apenas revelam expectativas culturais distintas sobre o papel do café no cotidiano.


O ponto de torra do café também altera profundamente a experiência sensorial e precisa estar em harmonia com o método e a diluição escolhidos. Torras claras preservam mais acidez, aromas florais e frutados, além de maior complexidade, mas exigem precisão no preparo, já que qualquer erro de extração fica mais evidente. Torras médias buscam equilíbrio entre doçura, acidez e corpo, sendo versáteis e adaptáveis a diferentes proporções de água. Já as torras mais escuras intensificam o amargor, as notas tostadas e a sensação de peso na boca, além de suavizar as características de origem, o que explica sua ampla utilização histórica em cafés mais diluídos e em grandes volumes.


Quando visitei em NY a %Arabica, cafeteria de blend arábica de diversas origens, percebi o café de qualidade em uma torra média adaptável, numa diluição maior, que no meu ponto de vista sensorial perdeu em corpo e equilibrio, mas manteve sabor e doçura apresentando um excelente café.


No fim, o preparo do café é uma tradução de intenção. Cada escolha — da quantidade de água ao ponto de torra, da origem ao método — comunica o que se espera da bebida. Entender essas variáveis não impõe regras, mas amplia possibilidades. O café deixa de ser um hábito automático e passa a ser uma experiência construída com consciência, respeito ao grão e atenção ao momento de quem o prepara e de quem o bebe.


Aqui deixo uma sugestão de preparo de café coado que adoro: primeiro, escalde sempre o filtro, depois leve em consideração o tamanho do suporte, se for um tamanho 02 utilize sempre uma quantidade até 30g. Eu gosto de 22g, 300ml de água, numa moagem média em que a extração dure entre 2:00 e 2:30 minutos. Experimente e conte-nos sua experiência.

 
 
 

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