Diário de torra II


Meu Deus, quanta coisa se passou desde que te escrevi pela última e primeira vez. Bom, depois de alguns experimentos nessa máquina que hoje enche meus dias de aroma, som e sensação tátil, participei de um campeonato e estive uma semana em imersão com excelentes torrefadores em Belo Horizonte, era a etapa final de 30 torrefações.


Com a empolgação, de quem pilota para trazer à xícara potências em forma de cafuné na língua, tive uma semana mágica com outras máquinas e outras pessoas, isso também me rendeu o 3º lugar que, de fato, é algo importante a se registrar por aqui.


Desde que comecei a torrar, com uma planilha, caneta e nariz já mudei de metodologias e software para testar, a grande questão dos cafés incríveis: teste. Hoje, me sinto confortável com o Cropster e tenho cada vez mais intimidade e confiança em meu torrador.


Piloto bem e ele me entende, às vezes, tenho vontade de me dessensibilizar um pouco para ter de novo uma primeira sensação de cheiro. Quando penso nisso, já sinto como se fosse a primeira vez e tendo a querer mostrar para mais pessoas como ele dança comigo.


Nunca é possível estar sozinha ao lado de um torrador, de mesmo modo, eu e ele temperamos sutilezas, deve ser o barulho de seu tambor que me enche de presença, e penso na química do café comigo.


Dia desses, andando pela cidade, senti o cheiro de dama-da-noite, tudo que refleti foi: _Hmmm... imagina torrar um café de notas florais pela manhã.


Há onze meses cada café explode no meu coração e dentro da máquina, o famoso momento do crack, em que o grão expande e sai o som de pipoca avisando que os segundos finais estão próximos.


Concluo, com certa sensibilidade amorosa, que torrar é transformar um grão em uma bebida incrível. Há tecnologias, softwares, métodos, reações, mas nada substitui a sofisticação e elegância do nosso encontro: eu e o torrador.

52 visualizações2 comentários

Posts recentes

Ver tudo